É do domínio público o que aconteceu na época passada, no túnel da Luz, e que acabou por motivar a suspensão de dois atletas do F. C. Porto. Na altura os Stewards colocaram-se no papel de vítimas e os atletas de futebol no papel de agressores. Neste momento, e através do blog O Anti Lampião neste post, ficamos a saber que estes meninos de coro cometeram a proeza de... agredir Juan Bernabé! Este senhor é só o tratador da águia vitória. A questão que fica no ar: se conseguem tratar desta forma um elemento do próprio clube como trataram, e tratarão, os jogadores e adeptos adversários? Cá está a notícia:
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Stewards da luz: A Verdade da Mentira
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Malcolm Allison (1927-2010), o treinador que gostava de viver para lá do futebol
Este é um artigo publicado pelo site Sporting Apoio e poderá ser lido na integra seguindo este link.
Malcolm Allison não escondia de ninguém os charutos nem as garrafas de champanhe. “O champanhe é uma bebida boa, uma bebida limpa”, dizia. Não se importava que os jogadores bebessem, responsabilizava-os pelas suas atitudes, mas premiava-os se fossem vencedores. “Fomos a Paris fazer um jogo particular com o PSV, já depois de termos sido campeões e ter vencido a Taça”, recorda ao PÚBLICO Manuel Fernandes, avançado do Sporting que coincidiu com o técnico britânico em Alvalade em 1981/82, ano de muitas conquistas para o clube. “Depois do jantar, regressámos ao hotel às duas da manhã e eu perguntei-lhe: “A que horas temos de acordar amanhã?” Ele respondeu: “Hoje ninguém vai dormir, vamos para os copos em Paris. Já fomos campeões. Agora temos de nos divertir e conviver uns com os outros.” Regressámos às seis da manhã.”
Morreu aos 83 anos o homem do chapéu, dos charutos e do champanhe. Da liberdade responsabilizada e dos métodos inovadores. “Era uma pessoa à inglesa. Para ele, liberdade era igual a responsabilidade. Criou-se essa imagem de uma pessoa anarca e irresponsável, mas era exactamente o contrário. E era igual para todos”, conta ao PÚBLICO António Oliveira, avançado do Sporting daquele tempo, a quem Allison chamava “Oli”. “Se tínhamos um treino à terça-feira, ele dizia: “Oli, vai ver a família, e vem só na quarta-feira.” Ele queria tirar partido da parte psicológica.”
Nascido em Dartford a 5 de Setembro, Malcolm Alexander Allison, Big Mal, chumbou de propósito na escola para poder ir jogar futebol, chegando ao Charlton com 18 anos em 1945, depois de ter passado os últimos anos da guerra como moço de entregas para uma mercearia. No Charlton teve poucas oportunidades e passou para outro clube de Londres, o West Ham, onde jogou até aos 31 anos, terminando a carreira de forma precoce devido a uma tuberculose que fez com que lhe retirassem um pulmão.
Estreou-se como treinador aos 36 anos no modesto Bath City, andou pelo Canadá e passou pelo Plymouth, antes de chegar ao Manchester City, onde foi adjunto entre 1965 e 1972, cumprindo a época seguinte como técnico principal – como adjunto, foi campeão inglês, venceu as taças de Inglaterra e da Liga e uma Taça das Taças. Ainda em Inglaterra, foi marcante a sua passagem pelo Crystal Palace, clube do qual foi despedido por se ter deixado fotografar nu com uma actriz porno numa banheira nas instalações do clube.
Chegou a Portugal em 1981 e conduziu o Sporting ao título e à Taça de Portugal, falhando por pouco o sucesso na Europa – foi eliminado pelo Neuchâtel Xamax nos oitavos-de-final, depois de uma eliminatória anterior marcante com o Southampton de Kevin Keegan, com um triunfo por 4-2 em Inglaterra e um empate sem golos em Lisboa. “Nesse jogo, ele começou por me colocar a defesa-direito e a ordem era: “Meszaros [o guarda-redes], quando tiveres a bola joga para o Oli”. Marcámos quatro”, recorda António Oliveira.
Apesar da época de sucessos, a permanência de Big Mal em Alvalade terminou logo no início da época seguinte. O britânico seria despedido, por alegadamente beber demasiado, mas voltaria a Portugal para treinar Vitória de Setúbal e Farense. “Foi um processo muito injusto. Um empresário estava a preparar a vinda do Josef Venglos e inventaram uma história que o Allison tinha bebido uma quantidade impossível de álcool”, lamenta Oliveira, que seria o substituto imediato do britânico, como treinador-jogador antes de Venglos chegar a Alvalade.
O Sporting foi o último clube onde teve sucesso como treinador, tendo ainda passagens falhadas pelo Middlesbrough, pela selecção do Kuwait e pelo Bristol, onde terminou a carreira em 1993. Sofreu nos últimos anos da sua vida com os excessos que antes cometera. Quase todos os seus relacionamentos amorosos – um deles com uma coelhinha da Playboy – falharam e a sua saúde degradou-se de forma irreparável pelo álcool que consumiu – admitiu o seu alcoolismo -, terminando os seus dias num lar, já praticamente desligado do mundo. Mas seguramente, garante quem o conheceu, sem arrependimentos. Palavra a António Oliveira: “Era um homem que gostava de viver e transmitia-nos o gozo pela vida para lá do futebol.”
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Desporto
Benfica em contradição ou acabou a chantagem?
É só uma pergunta inofensiva.
Crónicas Ricardo Araújo Pereira (16.10.2010)
“A Constituição americana – até hoje considerada como um dos melhores textos jurídicos jamais escritos - enumera o que os Founding Fathers chamaram de «verdades que temos como evidentes». “
Miguel Sousa Tavares, A Bola, 12 de outubro de 2010
Aparentemente, há juristas que lêem a Constituição americana sem o cuidado que é devido a um dos melhores textos jurídicos jamais escritos. Na verdade, não é a Constituição americana que enumera aquilo a que os Founding Fathersverdades que temos como evidentes. Essas são enumeradas na Declaração de Independência, que foi escrita uma boa década antes da Constituição. É, então, na Declaração de Independência que os chamados países fundadores dos Estados Unidos expõem as verdades que consideram evidentes: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, e que entre esses direitos se contam o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Uma das verdades que não é evidente, quer para a Constituição, quer para a Declaração de Independência, é que os cidadãos tenham o direito inalienável de não serem escutados. Como é evidente, todos os cidadãos têm o direito à privacidade - mas esse direito não é absoluto. E a magnífica lei americana permite o uso das escutas como meio de investigação, assim como a lei portuguesa. Que horror! Mas não era a PIDE que também escutava? Era. Se bem me lembro, a PIDE também prendia e, apesar disso, no regime democrático há quem continue a ir preso. A diferença é simples, mas parece que é difícil de entender: a PIDE escutava e prendia arbitrária e ilegitimamente, como é próprio das polícias políticas das ditaduras; a polícia das democracias escuta e prende justificada e legitimamente, como é próprio do Estado de direito democrático. O mais intrigante, no caso das escutas do Apito Dourado, é o facto de haver discussão quando, afinal, estamos todos de acordo. Por exemplo, estou de acordo com Miguel Sousa Tavares quando, depois de José Sócrates lhe ter dito que não devíamos conhecer o conteúdo das escutas do processo Face Oculta, respondeu: “Mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E, uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos. Eu, pelo menos, não posso”. (http://www.youtube.com/watch?v=RlWI8t7JY6Y&t=08m07s). chamaram
E estou de acordo com Rui Moreira, quando ontem confessou aqui a razão pela qual comentou as escutas que envolviam o nome de José Sócrates: «(...) limitei-me a não ignorar o que era público, ainda que resultasse de uma ilegalidade. Ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências». A única diferença é que eu tenho essa opinião relativamente a todas as escutas, e não em relação a todas menos as do Apito Dourado. Também acho que não devíamos conhecer a escuta em que Pinto da Costa combina com António Araújo oferecer fruta para dormir ao JP, mas conhecemos. E, uma vez que a conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos.
Eu, pelo menos, não posso. Quando comento a escuta em que Pinto da Costa dá indicações a um árbitro para que vá a sua casa nas vésperas de um jogo, limito-me a não ignorar o que é público, ainda que resulte de urna ilegalidade. Até porque ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências. Além disso, note-se, até concordo com MST quando diz que as escutas vieram a público nesta altura por causa do Porto-Benfica. O objectivo é prejudicar o Benfica: os jogadores que tiverem conhecimento das escutas ficam a saber que, por mais que se esforcem, se o árbitro estiver trabalhado não têm hipóteses de ganhar. Desmoraliza qualquer um.
Rui Moreira desfez-se em explicações para justificar que comentar umas escutas é um acto legítimo e comentar outras é uma vileza sem nome. Agora que foi despedido, talvez Rui Moreira tenha mais tempo livre para entrar num negócio que gostaria de lhe propor: formarmos um circo. Como ele já aqui tem sugerido várias vezes, eu seria, evidentemente, o palhaço. Ele seria o contorcionista. Não são muitos os artistas que se podem gabar de ter um número tão bom como o dele. A única maneira de Rui Moreira e MST comentarem uma escuta de Pinto da Costa é o presidente do Porto ser apanhado numa conversa telefónica com José Sócrates. Mesmo assim, suponho que fizessem um comentário misto, debruçando-se apenas sobre intervenções de Sócrates: “Esta intervenção de Sócrates reforça a nossa desconfiança nele. Agora temos uma parte do telefonema que não devíamos conhecer e temos nojo de quem a comenta. Agora está Sócrates novamente a fragilizar a sua credibilidade. E agora temos mais uma parte da conversa que é indigno estarmos a ouvir”.
Umas coisas são picardias maliciosas, típicas do mundo do futebol; outra, bem diferente, são ofensas. E Villas Boas ofendeu-me gravemente numa conferência de imprensa que deu esta semana. Disse que as minhas crónicas eram as únicas que gostava de ler porque eu o fazia rir. Sinceramente, creio que não merecia o insulto. Todas as semanas faço aqui o melhor que posso para provocar Villas Boas. Já recorri a tudo: sarcasmo, ironia, escárnio, simples sacanice. E Villas Boas tem a repugnante nobreza de carácter, o asqueroso desportivismo de achar graça. Para ele, se bem percebo, isto do futebol é a coisa mais importante do mundo para todos, mas no fim acaba por ser um jogo de que nos podemos rir juntos, seja qual for o nosso clube. Simplesmente infame. Exijo que passe a ter o fair-play de um Rui Moreira, que gosta muito de piadas desde que não sejam sobre ele. Obrigado.
Ricardo Araujo Pereira, 16 de Outubro in Jornal A Bola
Crónicas de Leonor Pinhão (14.10.2010)
Da potência e da Impotência
O futebol ocupou uma posição tal na nossa sociedade que o faz ser mais temido do que o próprio Estado de onde emanam os governantes e as políticas a que nos sujeitam. Tome-se põe exemplo o caso ainda fresco do presidente da Associação Comercial do Porto que abandonou melodramaticamente, e em directo, um programa de televisão de debate sobre futebolistas porque se recusou, em nome dos bons princípios, a comentar escutas ordenadas por um juiz no âmbito de um processo de investigação criminal.
O processo em causa, com o folclórico e colorido nome de Apito Dourado, incidia sobre práticas desleais protagonizadas por um sem número de dirigentes, empresários e árbitros de futebol, sendo que o clube do presidente da Associação Comercial do Porto era, sem margem dúvida, aquele que protagonizava mais práticas desse quilate.
E Rui Moreira, que é o nome do presidente da Associação Comercial do Porto, sentiu-se de tal modo constrangido pela discussão do assunto, que se levantou da cadeira onde estava sentado e foi para casa ofendido.
Não deixa de ser curioso que, a 26 de Fevereiro deste mesmo ano de 2010, o mesmo Rui Moreira não se tenha sentido minimamente constrangido, em nome dos seus bons princípios, a responder a um inquérito do diário I que lançava a seguinte questão: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta. Mantém a confiança no primeiro-ministro?
Fiquem pois sabendo que o presidente da Associação Comercial do Porto não só não se recusou a responder como até deu uma opinião bastante assertiva e contundente: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior.»
Embrulha, Zé Sócrates!
Convém, por ser verdade, esclarecer que o presidente da Associação Comercial do Porto não foi o único a disponibilizar-se para comentar as escutas do processo Face Oculta. Foi apenas um de uma lista de 50 individualidades identificadas e com profissões e estatutos sociais tão importantes como os empresários, economistas, sociólogos, escritores, presidentes de associações cívicas, professores universitários, fiscalistas, banqueiros, historiadores, penalistas, médicos, cientistas, militares e, final e inevitavelmente, um psiquiatra que, por sinal, até teria muito a acrescentar à discussão se nos quisesse explicar as razões desta impotência de que padece tanta gente quando chamada a tratar do intratável.
Compreendem agora que não é disparate nenhum concluir que o futebol mete muito mais respeitinho aos seus transeuntes do que a política e os políticos aos seus cidadãos? Perante as belezas e os perigos dos vetustos monumentos da bola nacional e o respectivo cortejo de vénias e de salamaleques aos seus dons e aos seus doutores, qualquer primeiro-ministro não passa de um Zé.
Ah, valentes!
APROXIMA-SE o dia do FC Porto – Benfica, duas potências em conflito. O historial de desacatos, desordens e vandalismos que antecedem o jogo propriamente dito não deixa nenhum dos emblemas superiorizar-se moralmente ao outro.
Estamos nestes casos, sempre e tristemente, perante um caso de polícia sendo que a polícia, aparentemente, tem tanto medo destes delinquentes enfarpelados com as cores dos respectivos clubes, como certos intelectuais e empresários têm medo de comentar as escutas no Youtube, desde que as escutas digam respeito apenas ao emblema do seu coração.
Tendo frescos na memória os acontecimentos da última deslocação do Benfica ao Porto – em que o disparo de bolas de golfe para o relvado se acrescentou ao tradicional reportório de pedradas contra o autocarro da equipa -, Luís Filipe Vieira fez-se receber pelo ministro da Administração Interna e anunciou «uma grande surpresa» dando-se o caso do Vermelhão voltar a ser atacado.
A possibilidade de o Benfica dar meia volta e regressar a Lisboa foi imediatamente aventada e, depois, elogiada ou criticada conforme os afectos de cada um, o que é sempre o pior critério para avaliar situações deste género cívico e que nada têm a ver com a questão desportiva.
E lá voltamos nós à questão da impotência, agora do Estado, responsável pela segurança pública, quando o assunto mete o futebol e logo ao mais alto, ou ao mais baixo nível, como é precisamente o caso. Tal como num jogo de futebol a autoridade máxima é o árbitro, num país a autoridade máxima que vela pela ordem nas ruas, nas estradas e nas auto-estradas é a polícia.
Na noite de passada terça-feira, em Génova, deu-se um caso curioso e exemplar. Estava marcada a realização do jogo Itália – Sérvia, de qualificação para o Euro – 2012, mas o comportamento dos adeptos, nomeadamente os sérvios, foi de tal modo criminoso que o árbitro, um escocês chamado Craig Thomson, perante a incapacidade policial em dominar os vândalos, resolveu suspender o jogo aos 6 minutos por não estarem reunidas as condições de segurança indispensáveis a um espectáculo público.
Não é de crer que a UEFA á condenar o árbitro por ter tomado a resolução do bom senso. Se uma coisa destas acontecesse em Portugal, o árbitro Thomson estava tramado até ao fim dos seus dias...
COM Paulo Bento, a selecção nacional voltou à normalidade. E isto já é dizer muito.
O Sporting queixa-se de ser perseguido pela Comunicação Social que não dá tréguas às mais insignificantes ocorrências do universo de Alvalade. Não tem razão o Sporting porque não há clube em Portugal que se ponha mais a jeito para os comentários dos analistas e até dos humoristas que são sempre os que mais fazem doer.
José Eduardo Bettencourt esforçou-se na última semana a dar entrevistas à RTP e ao jornal oficial do clube e ainda foi a Castelo Branco discursar num núcleo de simpatizantes locais. À RTP repetiu que a equipa de futebol estava «a um clique de distância» do sucesso, o que veremos se vai ou não acontecer, e que, pelos menos, o Sporting «nunca tinha ficado uma vez em 6.º lugar», o que é verdade. Também é verdade que o Sporting nunca ficou 32 vezes em 1.º lugar...
Ao jornal oficial do clube, o presidente regozijou-se pelo facto de já não ver «pessoas a rirem-se com as derrotas no balneário», o que é estranho. E em Castelo Branco afirmou que não podia dizer o que queria «para não ser ridicularizado no exterior».
O que também é verdade. Uma grande verdade.
Leonor Pinhão, 14 de Outubro de 2010 in Jornal A Bola
Destaques da 3ª eliminatória da Taça de Portugal
Um dos destaques desta ronda vai para a dificuldade da Associação Académica de Coimbra em levar de vencida a equipa do Cesarense, que milita na II Divisão Zona Centro. O golo da vitória só seria obtido por Amaury Bischoff aos 120 minutos. Um excelente golo, diga-se de passagem.
Outro destaque vai para o jogo Estoril vs Sporting. O resultado de 1-2 indica desde logo um equilíbrio que esteve sempre presente. Exceptuado a 1ª parte, onde o Sporting eclipsou-se e o Estoril foi sempre superior. O resultado de 1 a 0 para os Estorilistas, ao intervalo, era inteiramente merecido. Contudo na 2ª metade, com a entrada de um Leão de muitas batalhas (Liedson) e de um jovem a despontar (Diogo Salomão), o perfil do jogo alterar-se-ia. O tento do goleador Liedson acabou por ser merecido e o 2º da autoria de H. Postiga, que está em grande forma, acabaram por colocar as coisas no seu lugar.
No seu lugar estiveram sempre as coisas no jogo Sport Lisboa e Benfica vs Arouca. O resultado de 5-1 não teve nada de anormal, e a principal incidência do jogo acabou por ser precisamente o único golo dos visitantes, da autoria de Diogo. Registe-se que esta foi a 1ª vez que o Arouca perdeu no terreno dos benfiquistas, como bem lembrou a faixa da sua claque.
Tudo normal também no jogo Futebol Clube do Porto vs Limianos. Também neste jogo houve um herói improvável, Pedro Tiba, que aos 69' marcou um golo para não mais esquecer. Especial relevo para Walter, que ainda em processo de adaptação a um novo país e uma nova equipa, e na 1ª hipótese de se mostrar, acabou por marcar 3 golos. Walter acaba por ser o principal destaque desta ronda da Taça de Portugal, ficando a ideia que o FC Porto, como tantas vezes, acertou em cheio nesta contratação.
Aqui ficam os resultados e os apurados:
10 de Outubro
1º Dezembro-Sp. Braga, 1-2
SÁBADO
Gil Vicente-V. Setúbal, 1-1 (2-4 g.p.)
U. Leiria-U. Madeira, 1-2 (a.p.)
Estoril-Praia-Sporting, 1-2
Rio Ave-Estrela Vendas Novas, 4-1
F.C. Porto-Limianos, 4-1
Benfica-Arouca, 5-1
1º Dezembro-Sp. Braga, 1-2
SÁBADO
Gil Vicente-V. Setúbal, 1-1 (2-4 g.p.)
U. Leiria-U. Madeira, 1-2 (a.p.)
Estoril-Praia-Sporting, 1-2
Rio Ave-Estrela Vendas Novas, 4-1
F.C. Porto-Limianos, 4-1
Benfica-Arouca, 5-1
DOMINGO
Naval-Marítimo, 0-2
Cesarense-Académica Coimbra, 1-2 (a.p.)
Portimonense-Cinfães, 2-0
Paços Ferreira-São João Vêr, 3-1
Sertanense-Olhanense, 0-0 (1-4 g.p.)
Mirandela-Beira-Mar, 1-1 (2-4 g.p.)
V. Guimarães-Atl. Malveira, 4-0
Nacional-Padroense, 4-2
Operário-Moreirense, 0-2
Juventude Évora-Santa Clara, 1-0
Anadia-Feirense, 1-2
Ribeirão-Belenenses, 2-0
Sp. Espinho-Pontassolense, 4-1
Bombarralense-Louletano, 2-1
Pinhalnovense-Fafe, 3-0
Atlético-Macedo Cavaleiros, 3-1
Tirsense-Sampedrense, 5-1
Santa Maria-Penalva Castelo, 1-0
Merelinense-Farense, 2-1
Carregado-Fátima, 0-0 (3-2 g.p.)
Tourizense-Aliados Lordelo, 2-1 (a.p.)
Lagoa-Torreense, 0-0 (4-5 g.p.)
Mondinense-Coimbrões, 2-1
Leixões-Mafra, 3-2
Naval-Marítimo, 0-2
Cesarense-Académica Coimbra, 1-2 (a.p.)
Portimonense-Cinfães, 2-0
Paços Ferreira-São João Vêr, 3-1
Sertanense-Olhanense, 0-0 (1-4 g.p.)
Mirandela-Beira-Mar, 1-1 (2-4 g.p.)
V. Guimarães-Atl. Malveira, 4-0
Nacional-Padroense, 4-2
Operário-Moreirense, 0-2
Juventude Évora-Santa Clara, 1-0
Anadia-Feirense, 1-2
Ribeirão-Belenenses, 2-0
Sp. Espinho-Pontassolense, 4-1
Bombarralense-Louletano, 2-1
Pinhalnovense-Fafe, 3-0
Atlético-Macedo Cavaleiros, 3-1
Tirsense-Sampedrense, 5-1
Santa Maria-Penalva Castelo, 1-0
Merelinense-Farense, 2-1
Carregado-Fátima, 0-0 (3-2 g.p.)
Tourizense-Aliados Lordelo, 2-1 (a.p.)
Lagoa-Torreense, 0-0 (4-5 g.p.)
Mondinense-Coimbrões, 2-1
Leixões-Mafra, 3-2
Varzim-Gondomar (adiado)
sábado, 16 de outubro de 2010
“Se calhar, só ao sopapo” por Joel Neto
Crónica de Joel Neto, conhecido Sportinguista:
Numa coisa estou de acordo com José Eduardo Bettencourt: não vale a pena os sportinguistas tentarem dar-lhe lições sobre como lidar seja com quem (ou com o que) for, até porque não há lição que ele adopte. Quanto ao resto, devo dizer que não me revejo na sua estranha frase "Temos de acabar com a cultura de nos comermos uns aos outros". Nem naquela outra de Bessone Bastos, igualmente proferida ao longo da assembleia geral de quarta-feira: "O Sporting é um clube democrático." Nem, aliás, naquela outra ainda da nossa consócia nº 6, Maria de Lourdes Borges de Castro: "Em 87 anos de sócia, nunca tinha visto gente tão mal-educada. Assusta-me o estado em que está a nossa juventude."
Também a mim me assusta o estado em que está a nossa juventude. De outra coisa não tenho falado, por exemplo, nas minhas crónicas na revista NS', que aos sábados acompanha este jornal. "Nunca" ter visto "gente tão mal-educada" já é diferente: é não ter estado minimamente atento ao que há uma série de anos se passa nos estádios e nos centros de estágio, nos debates de televisão e à porta das salas onde acontecem reuniões das direcções do Sporting, do Benfica, do FC Porto, do Belenenses, da Académica e de qualquer outro clube português com suficientes ambições para ter claques, facções e disputas seja de que natureza for.
Agora, uma coisa é a malta andar à porrada por nada. Outra é, numa AG do Sporting do século XXI, haver sopapo. E, quanto a isso, só tenho três observações a fazer. A primeira é que umas bofetadas entre os sportinguistas até podem, bem vistas as coisas, vir a verificar-se profilácticas. A segunda é que, tendo em conta a situação, era de esperar que isto já tivesse acontecido há mais tempo. E a terceira é que, perante tão clara ausência de outra saída, mais vale não afastar em definitivamente a possibilidade de, mais dia, menos dia, tornarmos a usar o recurso. Contra mim falo: há anos que ando a alertar, debalde, para o verdadeiro desastre que vem desabando sobre o clube – por escrito é que não se resolve nada, de certeza absoluta.
Sabem qual é o verdadeiro problema disto tudo? É que, apesar da comoção de anteontem, aquilo que Costinha registou foi o elogio de Vítor Espadinha, mais ou menos irónico (mas, para o director desportivo, honesto e justíssimo): "[Costinha] Parece um modelo da Fátima Lopes." Quanto a Bettencourt, já se sabe: nem isso registou. Basicamente, e como de costume, o nosso presidente não registou nada. Este clube é uma depressão com pernas.
CRÓNICA DE FUTEBOL ("Futebol: Mesmo").
Jornal de Notícias, 15 de Outubro de 2010
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Crónicas
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Iván el Terrible!
O Artigo do Jornal Sport reflecte um medo que acossou o jogo deste fim de semana em Itália
Iván Bogdanov, la imagen del terror en el Italia-Serbia
17 detenidos y 16 heridos, imágenes brutales y preguntas sin responder. Sólo la visión del líder de los ultras explica el peligro que se vivió en Génova
Iván el Terrible. Así le llaman ya en Italia después de su detención. Le reconocieron por los tatuajes...
Contundente y simple, la portada de ‘La Gazzetta dello Sport’ utilizó ayer un único adjetivo para referirse al tipo en cuestión: ‘La bestia’. Se llama Iván Bogdanov y fue el líder en los desmanes que helaron la sangre de toda la Europa futbolística por lo ocurrido en Génova. Al frente de un millar y medio de ultras, encabezados por un grupo denominado ‘Tigres de Arkan’, el fútbol serbio se vio manchado nuevamente por la lacra de una violencia sin límites que ayer se convirtió en la verguenza de todo un país señalado nuevamente.
A la espera de la investigación que ayer anunció la UEFA, empezaron a conocerse detalles de lo sucedido y que comenzó por arrojar un balance de 17 ultras arrestados y 16 heridos en los enfrentamientos que se produjeron tras la suspensión del partido entre Italia y Serbia, entre más de un centenar de aficionados y las fuerzas de seguridad italianas.
El jefe principal de esta triste comedia, Iván Bogdanov (Iván el Terrible), fue detenido ya de madrugada, cuando la policía, en su búsqueda, le localizó oculto en el maletero de uno de los autocares que pretendía abandonar Italia para regresar a Belgrado.
En Serbia, ayer, la conmoción por los sucesos era aún máxima. No se entendía la facilidad con que los ultras pudieron desplazarse a Italia y menos aún con lo sucedido el pasado viernes, cuando la derrota de la selección en Belgrado ante Estonia ya derivó en diversos altercados en la capital, centrando muchos el objetivo en Vladimir Stojkovic, el meta del Partizán al que se responsabilizó de dos de los goles estonios.
Alejados de sus propios hinchas como si fueran el enemigo, los integrantes de la selección serbia se refugiaron en Génova y redescubrieron el infierno cuando camino del estadio los ultras apedrearon su autocar, buscando especialmente a Stojkovic, quien estalló en un ataque de nervios y acabó llorando en los vestuarios del Luigi Ferraris, tal y como explicó Cesare Prandelli. “Temía que iba a pasar algo. Se escondió en el vestuario llorando y muy asustado” aseveró el seleccionador italiano, para quien lo sucedido “no lo podía ni imaginar”.
La imagen de algunos jugadores serbios intentando apaciguar el ánimo de los que, se suponía, eran sus seguidores impactó tanto como la de Sinisa Mihajlovic abandonando compungido y furioso el estadio por los sucesos.
La UEFA publicó un comunicado en el que dijo que ha abierto una investigación ‘exhaustiva’ y que cuando se haya elaborado el informe ‘el asunto pasará a manos del Comité de Control y Disciplina’. A partir de ahí se estudiarán ‘las medidas a tomar, en forma de amonestación o multa, hasta el cierre del estadio o su descalificación en las competiciones en curso y/o la exclusión de futuras competiciones. Serbia tiembla. Sus ultras, y eso es lo grave, no.
Iván Bogdanov, la imagen del terror en el Italia-Serbia
17 detenidos y 16 heridos, imágenes brutales y preguntas sin responder. Sólo la visión del líder de los ultras explica el peligro que se vivió en Génova
Iván el Terrible. Así le llaman ya en Italia después de su detención. Le reconocieron por los tatuajes...
Contundente y simple, la portada de ‘La Gazzetta dello Sport’ utilizó ayer un único adjetivo para referirse al tipo en cuestión: ‘La bestia’. Se llama Iván Bogdanov y fue el líder en los desmanes que helaron la sangre de toda la Europa futbolística por lo ocurrido en Génova. Al frente de un millar y medio de ultras, encabezados por un grupo denominado ‘Tigres de Arkan’, el fútbol serbio se vio manchado nuevamente por la lacra de una violencia sin límites que ayer se convirtió en la verguenza de todo un país señalado nuevamente.
A la espera de la investigación que ayer anunció la UEFA, empezaron a conocerse detalles de lo sucedido y que comenzó por arrojar un balance de 17 ultras arrestados y 16 heridos en los enfrentamientos que se produjeron tras la suspensión del partido entre Italia y Serbia, entre más de un centenar de aficionados y las fuerzas de seguridad italianas.
El jefe principal de esta triste comedia, Iván Bogdanov (Iván el Terrible), fue detenido ya de madrugada, cuando la policía, en su búsqueda, le localizó oculto en el maletero de uno de los autocares que pretendía abandonar Italia para regresar a Belgrado.
En Serbia, ayer, la conmoción por los sucesos era aún máxima. No se entendía la facilidad con que los ultras pudieron desplazarse a Italia y menos aún con lo sucedido el pasado viernes, cuando la derrota de la selección en Belgrado ante Estonia ya derivó en diversos altercados en la capital, centrando muchos el objetivo en Vladimir Stojkovic, el meta del Partizán al que se responsabilizó de dos de los goles estonios.
Alejados de sus propios hinchas como si fueran el enemigo, los integrantes de la selección serbia se refugiaron en Génova y redescubrieron el infierno cuando camino del estadio los ultras apedrearon su autocar, buscando especialmente a Stojkovic, quien estalló en un ataque de nervios y acabó llorando en los vestuarios del Luigi Ferraris, tal y como explicó Cesare Prandelli. “Temía que iba a pasar algo. Se escondió en el vestuario llorando y muy asustado” aseveró el seleccionador italiano, para quien lo sucedido “no lo podía ni imaginar”.
La imagen de algunos jugadores serbios intentando apaciguar el ánimo de los que, se suponía, eran sus seguidores impactó tanto como la de Sinisa Mihajlovic abandonando compungido y furioso el estadio por los sucesos.
La UEFA publicó un comunicado en el que dijo que ha abierto una investigación ‘exhaustiva’ y que cuando se haya elaborado el informe ‘el asunto pasará a manos del Comité de Control y Disciplina’. A partir de ahí se estudiarán ‘las medidas a tomar, en forma de amonestación o multa, hasta el cierre del estadio o su descalificación en las competiciones en curso y/o la exclusión de futuras competiciones. Serbia tiembla. Sus ultras, y eso es lo grave, no.
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Órfãos de Xavi
Como já tenho dito, é um prazer ler as crónicas de Santiago Segurola. Mais uma que pode ser lida no Diário de Noícias:
O pequeno corpo de Xavi contém todos os segredos do futebol. É um manual com botas, o tipo de jogador que transmite às suas equipas o ritmo adequado, os passes necessários e a capacidade para detectar as fraquezas dos adversários. Xavi funciona no meio-campo como um entomólogo. Analisa todos os detalhes - os grandes, os pequenos e os microscópicos - e depois toma decisões, quase sempre de forma favorável à sua equipa, quase todas letais para os adversários.
Os espanhóis recordam Xavi em todas as categorias internacionais. Nos seus primeiros anos, ganhou o Mundial juvenil de 1999 e a medalha de prata dos Jogos Olímpicos de Sydney. Sucedeu a um mito como Guardiola e instalou-se no Barcelona com 18 anos. Conquistou seis Ligas, duas Ligas dos Campeões, uma Taça do Mundo de clubes e o último Mundial. É o jogador mais respeitado e seguramente o melhor que o futebol espanhol produziu.
O palmarés de Xavi recorda-nos o seu peso em todos os lugares onde esteve. Ao redor deste centrocampista fenomenal quase sempre se formaram equipas brilhantes e ganhadoras. Equipas submetidas ao critério de um jogador obsessivo que demorou a ter o reconhecimento que hoje recebe. Com a perspectiva da história, Xavi é um génio indiscutível, o tipo de futebolista que aumenta exponencialmente o rendimento dos companheiros. Sem dúvida a sua carreira não tem sido fácil. Em alguns momentos consideraram-no o principal responsável pelos fracassos do Barça e da selecção.
Há um ano, o tablóide inglês Daily Mail publicou uma fotografia da cerimónia de entrega do prémio da FIFA para o melhor jogador do Mundo. Lá estavam Messi, Cristiano Ronaldo, Rooney, Fernando Torres e Xavi. "Os quatro melhores jogadores do Mundo e um tal Xavi", era o título do Daily Mail. O critério infame do jornal sensacionalista não impede que se pense que Xavi recebeu a consideração que merece. Com toda a segurança, foi mais apreciado por futebolistas e treinadores que por jornalistas e adeptos.
Xavi não é um jogador fácil de compreender. Não é rápido, não é forte e não é goleador, mas ninguém pensa mais rápido, nem é mais competitivo e ninguém encontra melhor os avançados que ele.
Num jogo normal passa a bola 90 vezes com 95% de precisão. Num bom ultrapassa os 100 passes, com 98% de certeza. Muitos são simples, previsíveis. Outros desestabilizam o sistema defensivo dos rivais. E alguns reinventam as partidas, como normalmente acontece no Santiago Bernabéu [estádio do Real Madrid].
A sua interpretação do jogo mudou a forma de ver o futebol em Espanha. Pode-se dizer que Xavi ensinou os adeptos espanhóis a interpretar o jogo de forma diferente. Este legado gigantesco explica a sua importância nos últimos dez anos. Agora Xavi tem 30 anos e começa a sofrer o peso da idade. Doem-lhe as penas, os ligamentos estão inflamados, a fadiga é evidente. Há uns dias pediu ao seleccionador Del Bosque e a Pep Guardiola duas semanas de descanso. Não podia mais. Há que temer o futuro declínio do centrocampista do Barça. Nem a selecção, nem a sua equipa serão as mesmas sem este jogador irrepetível. Espanha sofreu cada vez que não contou com Xavi. Em Buenos Aires foi destroçada pela Argentina. O Barcelona tem Messi, mas nem o jogador argentino pode remediar a ausência do "grande arquitecto". O humilde Maiorca empatou no domingo em Camp Nou [1-1,para a sexta jornada da Liga espanhola]. Apesar de não jogar mal, o Barcelona procurava o "piloto" do seu futebol. Ele não estava. Faltou Xavi e a sua equipa sentiu-se órfã.
O pequeno corpo de Xavi contém todos os segredos do futebol. É um manual com botas, o tipo de jogador que transmite às suas equipas o ritmo adequado, os passes necessários e a capacidade para detectar as fraquezas dos adversários. Xavi funciona no meio-campo como um entomólogo. Analisa todos os detalhes - os grandes, os pequenos e os microscópicos - e depois toma decisões, quase sempre de forma favorável à sua equipa, quase todas letais para os adversários.
Os espanhóis recordam Xavi em todas as categorias internacionais. Nos seus primeiros anos, ganhou o Mundial juvenil de 1999 e a medalha de prata dos Jogos Olímpicos de Sydney. Sucedeu a um mito como Guardiola e instalou-se no Barcelona com 18 anos. Conquistou seis Ligas, duas Ligas dos Campeões, uma Taça do Mundo de clubes e o último Mundial. É o jogador mais respeitado e seguramente o melhor que o futebol espanhol produziu.
O palmarés de Xavi recorda-nos o seu peso em todos os lugares onde esteve. Ao redor deste centrocampista fenomenal quase sempre se formaram equipas brilhantes e ganhadoras. Equipas submetidas ao critério de um jogador obsessivo que demorou a ter o reconhecimento que hoje recebe. Com a perspectiva da história, Xavi é um génio indiscutível, o tipo de futebolista que aumenta exponencialmente o rendimento dos companheiros. Sem dúvida a sua carreira não tem sido fácil. Em alguns momentos consideraram-no o principal responsável pelos fracassos do Barça e da selecção.
Há um ano, o tablóide inglês Daily Mail publicou uma fotografia da cerimónia de entrega do prémio da FIFA para o melhor jogador do Mundo. Lá estavam Messi, Cristiano Ronaldo, Rooney, Fernando Torres e Xavi. "Os quatro melhores jogadores do Mundo e um tal Xavi", era o título do Daily Mail. O critério infame do jornal sensacionalista não impede que se pense que Xavi recebeu a consideração que merece. Com toda a segurança, foi mais apreciado por futebolistas e treinadores que por jornalistas e adeptos.
Xavi não é um jogador fácil de compreender. Não é rápido, não é forte e não é goleador, mas ninguém pensa mais rápido, nem é mais competitivo e ninguém encontra melhor os avançados que ele.
Num jogo normal passa a bola 90 vezes com 95% de precisão. Num bom ultrapassa os 100 passes, com 98% de certeza. Muitos são simples, previsíveis. Outros desestabilizam o sistema defensivo dos rivais. E alguns reinventam as partidas, como normalmente acontece no Santiago Bernabéu [estádio do Real Madrid].
A sua interpretação do jogo mudou a forma de ver o futebol em Espanha. Pode-se dizer que Xavi ensinou os adeptos espanhóis a interpretar o jogo de forma diferente. Este legado gigantesco explica a sua importância nos últimos dez anos. Agora Xavi tem 30 anos e começa a sofrer o peso da idade. Doem-lhe as penas, os ligamentos estão inflamados, a fadiga é evidente. Há uns dias pediu ao seleccionador Del Bosque e a Pep Guardiola duas semanas de descanso. Não podia mais. Há que temer o futuro declínio do centrocampista do Barça. Nem a selecção, nem a sua equipa serão as mesmas sem este jogador irrepetível. Espanha sofreu cada vez que não contou com Xavi. Em Buenos Aires foi destroçada pela Argentina. O Barcelona tem Messi, mas nem o jogador argentino pode remediar a ausência do "grande arquitecto". O humilde Maiorca empatou no domingo em Camp Nou [1-1,para a sexta jornada da Liga espanhola]. Apesar de não jogar mal, o Barcelona procurava o "piloto" do seu futebol. Ele não estava. Faltou Xavi e a sua equipa sentiu-se órfã.
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