sábado, 12 de fevereiro de 2011

St. Pauli. Acabou-se o striptease na 1. Bundesliga

Este é o título desta crónica de Rui Tovar no jornal i. Rui Tovar que é, muito provavelmente, o melhor jornalista desportivo português merece bem que quase semanalmente faça aqui uma referência a um dos seus artigos.


St. Pauli. Acabou-se o striptease na 1. Bundesliga


Os adeptos do clube alemão que levavam os filhos menores queixaram-se dos shows numa sala VIP do estádio e ganharam o braço-de-ferro

Há clubes diferentes, uns por convicção outros por imposição. O Barcelona, por exemplo, pertence à segunda classe, com o slogan "mais que um clube". O Athletic Bilbao, outro exemplo, nunca contratou um jogador que não fosse basco, fosse ele espanhol fosse francês (como Lizarazu, e já este sofria na pele as ameaças da ETA). Esqueça isso e ponha os olhos no Sankt Pauli. Isso, agora até já pode olhar à vontade e tudo. Hoje não vai haver striptease no Estádio Millerntor, por ocasião do St. Pauli (15.o classificado)-Bor. M''Gladbach (18.o e último).

E quando se fala de striptease não é striptease técnico-táctico, como se vê amiúde por essa Europa fora, com os treinadores a tirarem a gravata e o casaco no decorrer do jogo. Não, isso não é nada. O striptease do St. Pauli era mesmo striptease. Mas vamos por partes. O St. Pauli é um clube diferente. Por convicção. O clube é de Hamburgo (o último dérbi foi adiado a semana passada por receio de confronto de claques), de um bairro portuário, um dos mais decadentes da cidade, famosíssimo pelas sex shops e pelos bordéis. Mas isto são detalhes. O St. Pauli é o clube mais sui generis do mundo porque o símbolo é uma bandeira pirata, em oposição ao establishment capitalista, a música do estádio é o "Highway To Hell", dos AC/DC (as alternativas são... isso mesmo, bandas alternativas como Bad Religion, Asian Dub Foundation e Turbonegro), há uma alínea dos estatutos que proíbe adeptos fascistas e racistas, o presidente é abertamente gay (Corny Littman é director de um teatro, casado com um tunisino e não percebe nada de bola) e o patrocinador é uma loja de produtos eróticos, que fez mais de 200 mil preservativos com o símbolo do clube. É também o clube com mais sócias do mundo. E o poder delas é enorme, numa alusão a terem obrigado o clube a retirar os anúncios de uma revista masculina do estádio, considerando-os uma ofensa às ditas cujas. Elas mais eles é uma mistura explosiva, no campo (a média de espectadores era de 15 mil por jogo, quando o St. Pauli vagueava pela 3.a divisão, onde a média era... 200), e fora dele também.

Há dez anos o St. Pauli alugara um dos palcos VIP do estádio à Susis Show Bar, uma das múltiplas empresas de espectáculos eróticos do bairro do clube. E a intensidade/qualidade do show intensificava-se consoante o rendimento da equipa durante os 90 minutos (ou 120, em caso de jogos da Taça da Alemanha). Tudo a olho nu, porque a sala VIP tinha vidros duplos, sim senhor (desculpe, sim senhora), mas todos os espectadores podiam ver o que se passava lá dentro. Escusado será dizer que os espectáculos atraíram um número considerável de novos adeptos ao estádio. E escusado será dizer que os pais que levavam os filhos menores aos jogos se insurgiram contra a situação. A discussão arrastou-se por uns meses e o clube achou por bem dar razão aos protestos e fechou a sala VIP. Agora não há mais espectáculos (eróticos) para ninguém. A partir de hoje, quem quiser vê-los vá à Susis Show Bar. Hããã perdão... vá ao estádio. No estádio é que há espectáculos. Onze contra onze e tal...

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