terça-feira, 2 de novembro de 2010

Crónica de Santiago Segurola (26.10.2010)

Dias felizes no Bernabéu
Dias felizes para o Real Madrid e Mourinho. A equipa ganha e o treinador beneficia com novas doses de fama, perigo que não o debilitará. Mourinho alimenta-se com o êxito e a popularidade. No sábado, frente ao modesto Racing de Santander, parecia um homem satisfeito, amável e sem nenhum reparo a fazer. Abraçou afectuosamente Özil, Higuaín e Marcelo quando os substituiu na segunda parte e pediu os aplausos dos adeptos para Di María quando abandonou o terreno. E merecia-o, o jogador argentino. Tem menos glamour que outros colegas, mas ganha, de forma admirável, cada euro do seu contrato.
Neste momento, o Real Madrid é um furacão. Marcou 16 golos nos três últimos jogos e derrotou o AC Milan sem nenhum problema. Os mais cépticos dizem que ainda não defrontaram nenhuma equipa de peso na Liga. É verdade, mas há algo no jogo do Real que parece pender para o êxito. Convém referir que o clube tem feito muito para que a equipa disponha de recursos quase ilimitados. Nas duas últimas temporadas gastou quase 400 milhões de euros em contratações, cifra inédita na história do futebol e ainda mais assombrosa nos tempos de crise que percorrem o planeta.
As contratações deste Verão aliviaram os problemas que teve Pellegrini na última época. A chegada de Ricardo Carvalho, que funciona como um relógio, resolveu as dúvidas no eixo da defesa, onde Albiol e Garay não conseguiram estabelecer a sua autoridade. As baixas de Sneijder e Robben, tão criticadas por Pellegrini, foram ocupadas por Özil e Di María. O esquerdino alemão coloca menos intensidade no jogo que Sneijder, mas é mais completo. Já Di Maria é Robben, mas com mais capacidade de sacrifício e menos lesões. Depois das suspeitas iniciais, o público do Bernabéu está rendido ao ex-jogador do Benfica.
As contratações melhoraram consideravelmente o Real. Já ninguém recorda Kaká, que no ano passado foi mais problema que solução e toda a gente concorda que Benzema é um caso perdido. Frente ao Racing, depois dos seis golos, tudo foi entusiasmo e felicidade, mas Benzema passou por outro calvário nos poucos minutos que jogou. O Bernabéu vaiou-o várias vezes, sinónimo do descrédito no avançado francês. A claque não o quer . E Mourinho também nãoparece entusiasmado com o seu ponta-de-lança , que cumpre um papel residual. Joga os últimos minutos... e obrigado.
Nas últimas três semanas, o Real tem jogado com velocidade e vigor, como se supõe em qualquer equipa de Mourinho. Mas também joga com precisão, beleza e grandes recursos técnicos. A defesa é impenetrável, Xabi Alonso demonstra em cada jogo que é um dos melhores médios do mundo e os avançados não perdoam. Se o Barcelona orbita à volta dos seus astutos médios, o Real define-se pelos seus meteóricos avançados: Higuaín, Di Maria e Cristiano Ronaldo, ajudados por um elegante Özil, um falso avançado - ou um falso médio - que introduz a pausa necessária nos momentos adequados.
As coisas funcionam tão bem que Cristiano Ronaldo já compreendeu algumas questões básicas. Por exemplo, é possível ser estrela e participar no plano colectivo da equipa. Começa a perceber que não se pode ser Cristiano Ronaldo todos os minutos em todos os jogos. E isso permite-lhe tomar melhores decisões, colaborar mais e melhor com Higuaín, ser menos previsível e marcar as diferenças. Aí estão os quatro golos que apontou frente ao Racing de Santander

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